Primeira Multiplicação dos Pães – Décimo Oitavo Domingo do Tempo Comum – Mateus 14, 13-21

29 de julho de 2011 at 0:15 Deixe um comentário

Depois de ensinar sobre o Reino com diversas parábolas, Jesus foi para Nazaré, sua cidade, e lá soube que o tetrarca Herodes havia decapitado João Batista. Por causa dessa notícia o Senhor partiu dali numa barca e foi para um lugar deserto. O povo acompanhou Jesus a pé. Quando Jesus Cristo saiu da barca, viu a multidão que o seguia, compadeceu-se de todos e, curou os doentes. Já era tarde e os discípulos de Jesus estavam preocupados porque o povo que seguia Jesus para ouvi-lo falar, estava faminto e não havia alimento por perto para saciar a fome de tão grande multidão. Os discípulos então pediram a Jesus que despedisse todas as pessoas para que elas fossem até à aldeia para comprar alimento.  Ao que Jesus Cristo respondeu: “Não é necessário; dai-lhe vós mesmos de comer”. ( V.13-16)

Jesus se compadece da multidão - Embora sofrendo pela morte de João Batista, Jesus colocou seu olhar misericordioso sobre os doentes que estavam a esperar por Ele, para serem curados de seus males. Jesus Cristo cheio de compaixão olha por todos nós também hoje, porque somos continuamente tentados pelo inimigo (Satanás) que não quer que sejamos curados, libertos e salvos.

O Papa Bento XVI disse: “Também hoje o olhar compassivo de Cristo pousa incessantemente sobre os homens e os povos. Olha-os ciente de que o projeto divino prevê o seu chamamento à salvação. Jesus conhece as insídias que se levantam contra esse projeto, e tem compaixão das multidões: decide defendê-las dos lobos, mesmo à custa da sua própria vida. Com aquele olhar, Jesus abraça os indivíduos e as multidões e entrega-os todos ao Pai, oferecendo-Se a Si mesmo em sacrifício de expiação”.

Jesus disse aos seus discípulos: “… dai-lhe vós mesmos de comer”. ( V.16) -  O Beato João Paulo II explicou-nos: “O Evangelho destaca como o Redentor experimenta singular compaixão por aqueles que vivem em dificuldade; fala-lhes do Reino de Deus e cura os enfermos no corpo e no espírito. Depois diz aos discípulos: «Dai-lhes vós mesmos de comer». Mas eles reparam que só têm cinco pães e dois peixes.  Essa ordem de Jesus é também para nós hoje, como então os Apóstolos em Betsaída, dispomos de meios, sem dúvida, insuficientes para valer eficazmente a cerca de oitocentos milhões de pessoas famintas ou mal nutridas, que, às portas do ano 2000, lutam ainda pela sua sobrevivência. A terra está dotada dos recursos necessários para saciar a humanidade inteira”. E o Beato disse ainda que é preciso saber usar esses recursos naturais  “com inteligência, respeitando o ambiente e os ritmos da natureza, garantindo a equidade e a justiça nas trocas comerciais, e uma distribuição das riquezas que tenha em conta o dever da solidariedade”.

Achamos que Deus tem culpa pela fome que assola tantos países e tantos povos, mas Deus criou um mundo e o abastece dia e noite com a vida que brota da terra, da água e do ar para que tenhamos até mais que o necessário para saciar a nossa fome e sede física. Vejam o que a Palavra de Deus está nos ensinando nos versículos 20 e 21:  Jesus alimentou uma grande multidão (eram cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças) e todos ficaram fartos; e ainda sobraram doze cestos cheios. ( V. 20-21) Eis o que Jesus também está dizendo pra nós,  através  do Milagre da Multiplicação dos Pães: Deus é bom e poderoso pra não deixar faltar e, até sobrar comida para todos. Mas precisamos fazer a nossa parte, isto é, dar o pão e o peixe para serem multiplicados pelo Senhor. E isso podemos fazer de diversas maneiras: preservando a natureza; partilhando o que temos com os mais necessitados; mais políticas públicas de incentivo à area dos alimentos e, principalmente seguindo o mandamento do amor deixado por Jesus Cristo: amar nossos irmãos como a nós mesmos.

 Os primeiros cristãos nos deram um exemplo de partilha e solidariedade que podem servir de ensinamento para nossas vidas, segundo a nossa realidade hoje. A Palavra de Deus diz:  “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça.  Nem havia entre eles nenhum necessitado…” (At 4, 32-34)    E o Beato João Paulo II conclui: “Alguém poderia objetar que se trata de uma enorme e quimérica utopia. O ensinamento e a ação social da Igreja, porém, demonstram o contrário: sempre que os homens se convertem ao Evangelho, esse projeto de partilha e solidariedade torna-se uma estupenda realidade”.

Mas a maior fome que o homem e a mulher podem experimentar é a fome de Deus. Santo Agostinho ressalta que é necessário termos essa fome de Deus: “Nós devemos ter fome de Deus”. A humanidade tem fome de dignidade, da verdade, da justiça, da paz e do amor: esses e muitos outros bens, que vem de Deus. Essa fome só será saciada pelo próprio Jesus, o Pão da Vida, através da sua Palavra e da Eucaristia. Ao ser tentado no deserto por Satanás, Jesus respondeu: “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4, 4)

Os discípulos responderam a Jesus: “…nós não temos aqui mais que cinco pães e dois peixes”. (V.17) _  Generosamente um jovem ofereceu cinco pães de cevada e dois peixes que ele possuía. O Beato João Paulo II disse: “Jesus aceitou esta pobre dádiva e, pelo seu poder divino, deu-lhe dimensões que o pequeno dador não podia imaginar. Jesus então disse aos discípulos: “Trazei-mos”. Continua nos explicando o Beato João Paulo II:  “Na realidade, Jesus queria provar-lhes a fé: Ele contava não com uma adequada disponibilidade de bens materiais, mas com a generosidade deles ao oferecerem o pouco que possuíam”.

O versículo 19 fala que Jesus mandou a multidão sentar-se na relva, em seguida tomou os cinco pães e dois peixes, elevou os olhos ao céu, abençoou, partiu os pães e deu aos seus discípulos para distribuírem à multidão. E o versículo 20 diz: “Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios”. O Beato João Paulo II disse que “Jesus apresentava-se naquele momento como, mais do que Moisés, que no deserto tinha saciado o povo israelita durante o êxodo; apresentava-se como mais do que Eliseu, que com vinte pães de cevada e trigo novo tinha dado de comer a cem pessoas. Jesus manifestava-se; e hoje a nós manifesta-se como Aquele que é capaz de saciar para sempre a fome do nosso coração”. E cita a Palavra do Senhor: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome e o que acredita em mim jamais terá sede”. (Jo 6, 35). O milagre da multiplicação dos pães é o anúncio profético da Instituição da Eucaristia na Última Ceia.

Vejamos o que diz o Catecismo (1335): “O milagre da multiplicação dos pães, quando o Senhor proferiu a bênção, partiu e distribuiu os pães a seus discípulos para alimentar a multidão, prefigura a superabundância deste único pão de sua Eucaristia”. Jesus na última Ceia repete o gesto da Multiplicação dos Pães: “Durante a refeição, Jesus tomou o pão e, depois de o benzer, partiu-o e deu-lho…” (Mc 14,22) Desde então esse gesto é repetido todos os dias no mundo inteiro, a cada missa que é celebrada. Foi um pedido do Senhor Jesus: “…fazei isto em memória de mim”. (22, 19b) O Catecismo (1329) diz: “….este rito, próprio da refeição judaica, foi utilizado por Jesus quando abençoava e distribuía o pão como presidente da mesa, sobretudo por  ocasião da Última Ceia. É por este gesto que os discípulos o reconhecerão após a ressurreição, e é com esta expressão que os primeiros cristãos designarão suas assembleias eucarísticas”.

 “Todos comeram e ficaram fartos, e, dos pedaços que sobraram, recolheram doze cestos cheios. Ora, os convivas foram aproximadamente cinco mil homens, sem contar as mulheres e crianças”. (V.20 e 21) –  O Pão Eucarístico é o milagre da multiplicação, pois Jesus é presença viva em cada fragmento da hóstia consagrada. O Catecismo (1377) ensina: “A presença eucarística de Cristo começa no momento da consagração e dura também enquanto subsistirem as espécies eucarísticas. Cristo está presente inteiro em cada uma das espécies e inteiro em cada uma das partes delas, de maneira que a fração do pão não divide o Cristo”.

O Beato João Paulo II conclui: “Trata-se dum prodígio surpreendente, que constitui como que o início de um longo processo histórico: o constante multiplicar-se na Igreja do Pão da vida nova para os homens de toda a raça e cultura. Este ministério sacramental foi confiado aos Apóstolos e aos seus sucessores. E eles, fiéis à recomendação do divino Mestre, não cessam de partir e de distribuir o Pão eucarístico de geração em geração”.  O Pão da vida, o Pão descido do céu, que é o Senhor Jesus, é alimento e comunhão para a vida da Igreja. O Catecismo (1329) ensina: “Com isso querem dizer que todos os que comem do único pão partido, Cristo, entram em comunhão com ele e já não formam senão um só corpo nele”.

O Milagre – A cada dia deparamos com os milagres de Deus: a vida de cada ser desse universo, o ritmo da engrenagem dos corpos que estão no espaço e principalmente do corpo humano; a natureza que não cessa de fecundar; os pensamentos que brotam do cérebro humano a cada centésimo de segundo. Tudo isso é milagre de Deus. Portanto é muito simples para o Senhor Jesus, um só Deus com o Pai e o Espírito Santo, multiplicar pães e peixes, já que isso é feito por Deus todos os dias em nossa mesa: O pão nosso de cada dia nos dai hoje, Pai!

 Santo Agostinho disse: “Governar todo o mundo é maior maravilha do que saciar cinco mil homens com cinco pães. Todavia, ninguém se admira com aquilo, mas se enche de admiração por isto, não porque seja maior, mas porque não é frequente. Quem sustenta ainda hoje o universo inteiro, se não aquele que, a partir de poucas sementes, Multiplica as searas? Há aqui uma operação divina. A multiplicação de poucos grãos, de que resulta a produção das searas, é feita pelo mesmo que, nas suas mãos, multiplicou os cinco pães”.

Cabe à Igreja, através do ministro ordenado, a sagrada tarefa de abençoar, partir e distribuir aos seus fiéis o Pão da Eucaristia, Corpo e Sangue do Senhor Jesus. E também levar a todos o Pão da Palavra, que é o próprio Jesus, o Verbo de Deus encarnado. E é isso o que acontece a cada Celebração Eucarística.  E saciados com esse sagrado alimento do céu, os fiéis entram em comunhão com Cristo, formando um só corpo com Ele. E que todos possam assim repartir o pão e o peixe de sua mesa com o mais necessitados, os pequeninos de Deus. A Palavra diz: “Poderoso é Deus para cumular-vos com toda a espécie de benefícios, para que, tendo sempre e em todas as coisas o necessário, vos sobre ainda muito para toda espécie de boas obras. Como está escrito: Espalhou, deu aos pobres, a sua justiça subsiste para sempre”. (2 Cor 9, 8-9)

Foi intenção nossa ao criar o blog “ideeanunciai”, que ele multiplicasse o Pão da Palavra e desse uma humilde contribuição à nossa Igreja Católica para levar o Evangelho também aos internautas, juntamente com outros irmãos católicos que já fazem o mesmo. Padre Raniero Catalamessa disse assim sobre o blog em que ele escreve seus posts:  “No fundo, o que estamos fazendo neste momento também é uma multiplicação dos pães: o pão da Palavra de Deus. Eu parti o pão da palavra e a internet multiplicou minhas palavras, de forma que mais de “5 mil homens, sem contar as mulheres e crianças”, também neste momento, se alimentaram e ficaram saciados. Resta uma tarefa: recolher “os pedaços que sobraram”, fazer a Palavra chegar também a quem não participou do banquete. Converter-se em “repetidores” e testemunhas da mensagem”.

Oremos

Com os versículos 13 a 17, do Salmo desse dia (144): “Vosso reino é um reino eterno, e vosso império subsiste em todas as gerações. O Senhor é fiel em suas palavras, e santo em tudo o que faz. O Senhor sustém os que vacilam, e soergue os abatidos. Todos os olhos esperançosos se dirigem para vós, e a seu tempo vós os alimentais. Basta abrirdes as mãos, para saciardes com benevolência todos os viventes. O Senhor é justo em seus caminhos, e santo em tudo o que faz”.

Com a Liturgia: Ó Deus, vós nos saciais com o pão da Palavra e da Eucaristia. Concedei que não falte o pão do corpo à mesa dos vossos filhos. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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