A Ressurreição de Lázaro – São João 11, 1-45 – Reflexão -

8 de abril de 2011 at 8:21 1 comentário

Busquemos compreender e trazer para nossa vida a passagem da Ressurreição de Lázaro, do Evangelho de São João capítulo 11, versículos de 1 a 45:

Jesus e seus discípulos - Quando Lázaro adoeceu, Jesus estava bem distante da casa dele, em Betânia. O Senhor tinha passado por Jerusalém e lá quiseram apedrejá-lo por causa de seus ensinamentos ( Jo 10, 31), então Ele e seus discípulos se retiraram para a região perto do Rio Jordão onde João batizava. ( Jo 10,40)

Jesus soube da doença de Lázaro - Foi então que Jesus soube que Lázaro caíra doente, porque as irmãs Marta e Maria mandaram avisá-lo: “Senhor, aquele que tu amas está enfermo”. (V.3)  A Palavra diz que embora Jesus “tivesse ouvido que Lázaro estava enfermo, demorou-se ainda dois dias no mesmo lugar”. ( V. 6) Ao fim de dois dias, Jesus “ disse a seus discípulos: Voltemos para a Judéia”. (V. 7)

A amizade de Jesus com os irmãos Lázaro, Marta e Maria - O Papa Bento XVI disse que “O evangelista João insiste sobre a amizade de Jesus com Lázaro e com as irmãs Marta e Maria. Ele ressalta o fato de que Jesus era muito amigo deles (V. 5), e por isso quis realizar o grande prodígio (a ressurreição de Lázaro)”. O Papa Bento XVI conclui: “Essa passagem evangélica mostra Jesus como verdadeiro Homem e verdadeiro Deus”.  Que bom se nos colocássemos como amigos de Jesus diante do Pai!  E sermos esses amigos fiéis que seguem as pegadas do Mestre como fizeram Lázaro e suas irmãs Marta e Maria.

Como Jesus vê a morte de Lázaro – Jesus disse a seus discípulos: “Lázaro, nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo”. ( V.11)  A explicação vem do Papa Bento XVI:  Jesus “ assim disse aos discípulos, expressando com a metáfora do sono o ponto de vista de Deus sobre a morte física: Deus vê-a precisamente como um sono, do qual nos pode despertar.  Jesus demonstrou um poder absoluto em relação a esta morte”.

A confiança de Marta no Senhor – Sabendo que Jesus estava se aproximando de Betânia, Marta foi ao seu encontro, muito aflita. Marta sabia que Jesus havia curado muitos doentes e que poderia ter curado seu irmão também. Marta lamentou-se pela ausência de Jesus por ocasião da doença de Lázaro. Quando viu Jesus, Marta falou-lhe: ”Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido! Mas sei também, agora, que tudo o que pedires a Deus, Deus to concederá”. ”Disse-lhe Jesus: Teu irmão ressurgirá”. (V.21-23) Quantas vezes duvidamos do Senhor e do seu poder porque estamos muitos distantes d’Ele.  Mas Marta não duvidou de Jesus Cristo, pois durante a sua vida buscou aproximar-se de Jesus e colocar-se sob seu senhorio.

Marta professa sua fé em Jesus - Jesus continuou falando com Marta que Ele próprio é a Ressurreição e a Vida (V.25), por isso Ele tem poder sobre a morte. Jesus não estava falando somente da morte física, mas também da morte da alma: “Eu sou a Ressurreição e a Vida”. “Quem crê em mim, mesmo que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, não morrerá para sempre”.  Depois, acrescentou: “Crês nisto?” (V. 25-26) Essa  ”é uma pergunta que Jesus dirige a cada um de nós; uma interrogação que certamente nos supera, ultrapassa a nossa capacidade de compreender e exige que confiemos nele, como Ele se confiou ao Pai. A resposta de Marta é exemplar: “Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (V. 27), explica o Papa Bento XVI.

Jesus é a Ressurreição e a Vida – Jesus veio para nos dar vida e vida em abundância (Jo 10, 10). Ele quer nos dar vida plena já nesse mundo e mais ainda, a vida eterna. Não é por acaso que quando Jesus ensina sobre a Eucaristia, ensina também sobre a ressurreição: “Ora, esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não deixe perecer nenhum daqueles que me deu, mas que os ressuscite no último dia”. ( Jo 6, 39) Ao falar com Marta sobre ressurreição, diz o Catecismo: “Jesus liga a fé na ressurreição à sua própria pessoa: “Eu sou a ressurreição e a vida” (V. 25). É Jesus mesmo quem, no último dia, há de ressuscitar os que nele tiveram crido e que tiverem comido seu corpo e bebido seu sangue. Desde já, Ele fornece um sinal e um penhor disto, restituindo a vida a certos mortos, anunciando com isso sua própria ressurreição, que no entanto será de outra ordem”. (994)

Maria emocionada lançou-se aos pés de Jesus - Ao pedido do Senhor, Marta foi chamar Maria, sua irmã. Quando Maria chegou ao local onde Jesus estava, ”lançou-se aos seus pés e disse-lhe: Senhor, se tivesses estado aqui, meu irmão não teria morrido”! (V. 32) Algumas pessoas presentes ficaram se perguntando por que o Senhor não impediu a morte de Lázaro se Ele milagrosamente havia curado o Cego de Nascença pouco tempo antes. (Jo  9, 1-41) Mas Jesus quis que a glória de Deus se manifestasse  poderosamente n’Ele, ressuscitando Lázaro à vista de todos.

Jesus chora a morte de Lázaro – O Senhor Jesus sentiu grande compaixão ao ver Marta e Maria e os outros que estavam lá muito entristecidos.  A Palavra diz: “Jesus ficou intensamente comovido em espírito. E, sob o impulso de profunda emoção, perguntou: Onde o pusestes? Responderam-lhe: Senhor, vinde ver.  Jesus pôs-se a chorar”.  (V. 33-35) O Papa Bento XVI ensina: ”O Coração de Cristo é divino-humano: nele, Deus e Homem encontraram-se perfeitamente, sem separação nem confusão. Ele é a imagem, aliás, a encarnação do Deus que é amor, misericórdia e ternura paterna e materna do Deus que é Vida”.

Jesus é compaixão – Quando perdemos nossos entes queridos encontramos em Jesus consolo e compaixão para os nossos sofrimentos. Pois Ele viveu entre nós e pode experimentar a tristeza que sentimos com situações de doença e de morte. São Paulo disse: “Porque não temos n’Ele um pontífice incapaz de compadecer-se das nossas fraquezas. Ao contrário, passou pelas mesmas provações que nós, com exceção do pecado”. (Hb 4, 15) Busquemos no Senhor força para suportar os momentos de dor e sofrimento.

Tirai a pedra! - Jesus quis saber onde era o túmulo de Lázaro e se dirigiu para lá. Era uma gruta coberta por uma pedra. (V. 38). “Jesus ordenou: Tirai a pedra. Disse-lhe Marta, irmã do morto: Senhor, já cheira mal, pois há quatro dias que ele está aí… Respondeu-lhe Jesus: Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? ( V. 39-40)

Se creres verás a glória de Deus - Quantas vezes em nossa vida, Jesus precisou remover a pedra de nossos túmulos. Túmulos que nós entramos e que não conseguimos sair dele. São momentos que nos sentimos sozinhos, deprimidos, desesperançados. Mas Jesus quer remover a pedra porque pelas nossas próprias forças não conseguimos. Jesus quer nos fazer retornar à vida.  Recorramos a Ele confiantemente e professemos nossa fé no poder libertador de Jesus Cristo, como fez Marta irmã de Lázaro: “Sim, ó Senhor; eu creio que Tu és Cristo, o Filho de Deus que havia de vir ao mundo” (V. 27). Então Jesus nos responderá: “Não te disse eu: Se creres, verás a glória de Deus? ( V. 40)

O Papa João Paulo II disse: “Reconheçamos também nós, Cristo como o nosso Senhor, como Aquele que está diante de nós, como estava diante daquele túmulo de Lázaro em Betânia. Temos necessidade, também nós de ressurreição. Toda a nossa vida não é acaso um ressurgir do mal, da doença e da morte?”

Jesus ressuscita os mortos - Crer em Jesus é também crer no poder que Ele tem de ressuscitar os mortos, como fez com Lázaro, depois de quatro dias falecido. É também crer que Jesus restituiu a vida ao filho da viúva de Naim (Lc  7, 11-17), e à menina de doze anos ( Mc 5, 35-43).  Tudo está sujeito ao nosso Senhor, inclusive a morte, pois o poder e a grandeza do Pai foram revelados em Jesus, com Jesus e para Jesus.  São Paulo escreve na Carta aos Efésios, que o Pai manifestou sua glória “na pessoa de Cristo, ressuscitando-o dos mortos e fazendo-o sentar à sua direita no céu, acima de todo principado, potestade, virtude, dominação e de todo nome que possa haver neste mundo como no futuro. E sujeitou a seus pés todas as coisas, e o constituiu chefe supremo da Igreja”. ( 1, 20-22)

Jesus ora ao Pai - Jesus pediu e a pedra do túmulo foi tirada. (V.39- 40). Então ”Levantando Jesus os olhos ao alto, disse: Pai, rendo-te graças, porque me ouviste. Eu bem sei que sempre me ouves, mas falo assim por causa do povo que está em roda, para que creiam que tu me enviaste”. ( V. 41-42) O Papa João Paulo II disse: “Podemos imaginar a admiração que um anúncio como este causou nos ouvintes, que pouco depois puderam constatar a verdade das palavras de Jesus quando, com a Sua ordem, Lázaro, que estava sepultado havia quatro dias, saiu vivo do sepulcro”.

A glória do Pai revelada no Filho - Jesus se relaciona com o Pai de uma forma única, pois Ele é o Filho predileto. O Catecismo da Igreja nos diz (443): Jesus “se designara como “o Filho” que conhece o Pai e que é diferente dos “servos” que Deus enviou anteriormente a seu povo, superior aos próprios anjos. Distinguiu sua filiação daquela de seus discípulos, não dizendo nunca “nosso Pai”, a não ser para ordenar-lhes: “Portanto, orai desta maneira: Pai Nosso” (Mt 6,9); e sublinhou esta distinção: “Meu Pai e vosso Pai” (Jo 20,17)” .

O Papa João Paulo II falou dessa forma sobre a unidade do Pai e do Filho: “Em virtude deste singular entendimento, Jesus pode apresentar-Se como o revelador do Pai, com um conhecimento que é fruto de uma íntima e misteriosa reciprocidade, como Ele sublinha no hino de júbilo: «Tudo Me foi entregue por Meu Pai, e ninguém conhece o Filho senão o Pai, como ninguém conhece o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar» (Mt  11, 27).

Jesus ressuscita Lázaro – Jesus Cristo clamou: “Lázaro, vem para fora”. (V.43) À vista de todos os presentes, Lázaro saiu do túmulo. Ele tinha o rosto coberto e os pés e mãos ligados com faixas. ”Ordenou então Jesus: Desligai-o e deixai-o ir”. (V. 44) E a Palavra diz que muitos creram em Jesus a partir desse milagre.  O Evangelho da Ressurreição de Lázaro, é leitura na liturgia do final da quaresma, porque nos faz recordar a Páscoa do Senhor que se aproxima.

Jesus nos liberta - E o Papa João Paulo II disse que Jesus Cristo “está diante de nós e brada-nos como a Lázaro: “Sai para fora!” (V. 43) Sai para fora da tua enfermidade física e moral, da tua indiferença, da tua preguiça, do teu egoísmo e da desordem em que vives. Sai para fora do teu desespero e da tua inquietação, por que chegou o tempo prenunciado pelos profetas, o tempo da salvação, em que “Meu povo, vou abrir os vossos túmulos,.. meterei em vós o Meu espírito, a fim de vos restituir à vida” ( Ez 37, 12-14).

A campanha da Fraternidade deste ano nos leva a refletir sobre a vida em nosso planeta e o cuidado que devemos ter com a natureza e tudo o que Deus criou e, deixou para que usufruíssemos de uma forma saudável e sensata. A natureza está agonizando, mas se cada um fizer a sua parte ainda dá tempo de reverter esse quadro de abandono e descaso com nosso planeta. Precisamos deixar um mundo melhor para as gerações futuras: água em abundância, ar puro e uma boa qualidade de vida.  Isso é fraternidade!

Jesus é Vida – Mas de tudo isso, o que mais devemos nos preocupar é com a preservação da vida de todos nós homens e mulheres dessa nossa Terra. Precisamos construir uma sociedade justa e fraterna, onde a preocupação com a vida humana seja prioridade. Um mundo onde não haja aborto, eutanásia e doentes desassistidos; e que idosos e crianças sejam respeitados. Um mundo onde não haja discriminação, nem fome, nem corrupção, nem drogas, nem violência. Jesus disse a Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida”. (V. 25) A cultura de morte que impera em nosso planeta é com certeza a ausência de Deus nos corações. O assassinato de crianças e adolescentes ontem no Rio de Janeiro nos deixam tristes e silenciosos. Nosso coração chora.

Quaresma é tempo de sair da escuridão do túmulo e buscar a luz de Cristo ressuscitado, para sermos fiéis testemunhas de conversão para nossos irmãos.

Testemunho

Quando fomos à Terra Santa em 1997, visitamos o túmulo de Lázaro, em Betânia. É diferente dos túmulos que conhecemos, pois é uma gruta com bastante espaço dentro. A casa onde Lázaro, Marta e Maria recebiam Jesus fica próxima ao túmulo.  É uma emoção muito grande visitar esses dois lugares sabendo que Jesus Cristo esteve ali, enquanto viveu entre nós.

Oremos:

Com o Papa Bento XVI: “Sim, ó Senhor! Também nós acreditamos, não obstante as nossas dúvidas e as nossas obscuridades; cremos em ti, porque Tu tens palavras de vida eterna; desejamos acreditar em ti, que nos infundes uma confiável esperança de vida para além da vida, de vida autêntica e repleta no teu Reino de luz e de paz”.

Com o Círculo Bíblico: “Ó Deus da vida, vosso Filho, ao ressuscitar Lázaro, nos mostra que vós não quereis a morte, mas a vida de vossos filhos e filhas. A morte não é o fim da estrada e não tem a última palavra, porque Jesus é ressurreição e vida para quem crê nele. Fazei que nossos encontros fraternos nos fortaleçam na fraternidade e na defesa da vida. Por Cristo, nosso Senhor”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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1 Comentário Add your own

  • 1. daniel nunez  |  8 de abril de 2011 às 17:42

    trova il tempo di leggere! è la chiave del paradiso.

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