Parábola do Rico e Lázaro ( Lc 16, 19-31) – Reflexão

19 de março de 2011 at 10:30 Deixe um comentário

Vamos dividir a reflexão dessa Parábola em duas partes:

1-    Deus exalta os pobres

2-    Precisamos seguir os ensinamentos do Senhor para ganhar a vida eterna

Deus exalta os pobres-

Na Parábola de Jesus, o Lázaro mendigava, era doente e comia restos da mesa do rico que se banqueteava todos os dias.  Morreu e foi levado ao céu. Ao passo que o rico desceu “aos tormentos do inferno”. ( v. 23) Ser rico não é pecado, mas deixar de partilhar os bens com os pobres, como vimos na leitura da parábola, condena- o ao inferno.  O Catecismo orienta (2443): ”Deus abençoa aqueles que ajudam os pobres e reprova aqueles que se afastam deles: “Dá ao que te pede e não voltes as costas ao que te pede emprestado” (Mt 5,42). “De graça recebestes, de graça dai” (Mt 10,8).

Algumas vezes reclamamos com quem nos pede esmola ou, então até mudamos de calçada para não ser abordado pelo irmão que está mendigando. Isso não é do agrado de Deus.  João Paulo II esclareceu para nós: “Ignorar as imensas multidões de mendigos, sem teto, sem cuidados médicos e, sobretudo, sem esperança de um futuro melhor, significaria parecer-nos ao rico que fingia não conhecer o mendigo Lázaro, prostrado à sua porta”.

Quaresma é tempo propício para a prática do jejum, oração e esmola; ”por isso a Igreja, especialmente no tempo quaresmal, convida à prática da esmola, ou seja, à capacidade de partilha. Voltar-se pra Deus e para a caridade com o próximo”, ensina o Papa Bento XVI. E não é por acaso, que o Evangelho que narra a Parábola do Rico e Lázaro é uma das leituras nesse Tempo litúrgico.

No pobre precisamos enxergar a pessoa de Jesus, pois é o que diz a sua Palavra: “Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”. ( Mt 25, 40) São Francisco de Assis disse assim: “Quem amaldiçoa um pobre injuria o próprio Cristo, de quem é sinal, pois ele se fez pobre por nós neste mundo”.

O pobre na sua indigência não põe seu prazer nos bens materiais, por isso não se afasta de Deus por causa deles. Jesus precisa ser prioridade em nossa vida. Ser nosso único Senhor. A riqueza não pode ocupar o lugar de Deus. Ele deve ser o Senhor de tudo. Vamos lembrar o que Jesus disse aos seus discípulos e, continua dizendo a nós, hoje: “Nenhum servo pode servir a dois senhores: ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de aderir a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro.” ( Lc 16, 13)

São João Crisóstomo exortou com firmeza: “Não deixar os pobres participar dos próprios bens é roubá-los e tirar-lhes a vida. Nós não detemos nossos bens, mas os deles”.

O rico, em sua maioria, busca novidades e prazer em sua riqueza e, por isso costuma se distanciar dos ensinamentos do Evangelho. Não é uma regra geral, pois há pobres que podem ser apegados materialmente ao pouco que tem. Como há ricos desapegados de sua riqueza, e que tem o hábito de partilhar com os mais necessitados. O Papa João Paulo II disse assim: ”Cristo não condena nunca a posse pura e simples dos bens materiais.  Mas pronuncia palavras muito severas contra os que usam dos seus bens materiais de modo egoísta, sem atenderem às necessidades dos outros”.

Papa Bento XVI ensina: “A idolatria dos bens, ao contrário, não só afasta do outro, mas despoja o homem, torna-o infeliz, engana-o, ilude-o sem realizar aquilo que promete, porque coloca as coisas materiais no lugar de Deus, única fonte da vida. A tentação é a de pensar, como o rico da parábola: «Alma, tens muitos bens em depósito para muitos anos…». «Insensato! Nesta mesma noite, pedir O -te-ão a tua alma…» (Lc 12, 19-20)

Seguir os ensinamentos do Senhor para ganhar a vida eterna -

Se meditarmos a palavra de Deus e a seguirmos, não temos com o que nos preocupar e, principalmente temer o inferno. Jesus, por diversas vezes, citou o inferno como lugar de eterna condenação das almas, daqueles que não quiseram seguir os ensinamentos de Deus. ”A mensagem da parábola vai além: recorda que, enquanto estivermos neste mundo, devemos ouvir o Senhor que nos fala mediante as sagradas Escrituras e viver segundo a sua vontade ( V. 28-31), caso contrário, depois da morte, será demasiado tarde para se corrigir”, ensina o Papa Bento XVI.

O rico da Parábola pediu a Abraão que os seus parentes fossem instruídos para não receber a mesma condenação que ele ( o inferno). ( v. 27-28) Todos somos convidados a receber a Boa Nova da Salvação em nossa Igreja Católica: seja pela leitura da Bíblia, do Catecismo, dos ensinamentos dos nossos pastores ( Papa, Bispos, Sacerdotes) , dos encontros de pastorais, do louvor nos grupos de oração e, pela  assídua participação nos sacramentos e do incentivo a uma vida de constante oração.

A Igreja, ungida pelo Espírito Santo, tem a missão de levar os ensinamentos do Senhor a todos, principalmente aos pagãos; para que ninguém fique sem conhecer Jesus Cristo e crendo n’Ele possam ser salvos. Uma verdade absoluta e radicalmente certa: ninguém pode salvar a si mesmo. A salvação vem somente do Senhor, que morreu na cruz por nós. Nem dinheiro, nem riqueza ou qualquer bem material nos garante um lugar no céu.

O Papa Bento XVI nos adverte: “O escândalo da fome, que tende a agravar-se, é inaceitável em um mundo que dispõe de bens, de conhecimentos e de meios para saná-lo». Há muita distância entre o rico e o pobre em nossa sociedade. Parece que existem dois mundos diferentes. Como na Parábola do rico e do Lázaro, está faltando solidariedade em nosso meio. O Catecismo ensina ( 1941): “ Os problemas sócio econômicos só podem ser resolvidos com o auxílio de todas as formas de solidariedade: solidariedade dos pobres entre si, dos ricos e dos pobres, dos trabalhadores entre si, dos empregadores e dos empregados na empresa, solidariedade entre as nações e entre os povos. A solidariedade internacional é uma exigência de ordem moral. Em parte, é da solidariedade que depende a paz mundial”.

O pensamento de São Vicente de Paulo, benfeitor dos pobres, conclui bem essa reflexão: “Todos aqueles que amaram os pobres em vida, não terão nenhum temor da morte. Portanto, sirvamos com renovado amor os pobres e busquemos os mais abandonados. Eles são os nossos senhores e patrões”.

Jane Amábile – Com. Divino Espírito Santo

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